Eu, enquanto ser estou
Vivendo a minha incompletude
Transformando o meu ver
Contemplando em você
O espelho do que posso ser
Um vir a ser, eu vou
Deslocando o meu ser
À infantil inocência
Colocando-me à mercê
Guiado pela incumbência
De querer me delimitar
Como um ser que é
E não como um ser que estar
Eu que busco no infinito
A razão da existência
O querer ser alguém
De saber, de ciência
E assim seguindo vou
Tendo sempre a consciência
Que em processo ainda estou
E o quão curta é a minha vivência
Conservando a inocência
Do aprendiz entusiasta
Em busca da essência
Na corrida insensata
Tentando vislumbrar
Nesta busca por mim mesmo
Um caminho a ser traçado
Meio torto, meio a esmo
E assim me deparar
Entre o ser que ainda estou
Em processo, inacabado
E o quão pouco ainda sou
Assim como um espelho
Reflito o meu estar
E absorvo os alheios
Que me fazem enxergar
Quão singelo é o construir
E o querer constituir
Uma percepção de ser
Enquanto se estar
Este reflexo
Do que é você
Alude ao nexo
Do porvir
Do estar a ser
Pois que são as referências
Que constroem o perceber
Me trazendo a sapiência
E a noção do vir a ser
O estar em processo
Procurando lá no fundo
Num sentindo bem profundo
A exclusão dos meus excessos
E em busca da razão
Seguindo assim eu vou
Transgredindo a pretensão
De ser alguém que é
Para um vir a ser que sou.
Alex Rosier.
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