segunda-feira, 19 de outubro de 2009

VIR A SER


Eu, enquanto ser estou

Vivendo a minha incompletude

Transformando o meu ver

Contemplando em você

O espelho do que posso ser

Um vir a ser, eu vou


Deslocando o meu ser

À infantil inocência

Colocando-me à mercê

Guiado pela incumbência

De querer me delimitar

Como um ser que é

E não como um ser que estar


Eu que busco no infinito

A razão da existência

O querer ser alguém

De saber, de ciência

E assim seguindo vou

Tendo sempre a consciência

Que em processo ainda estou

E o quão curta é a minha vivência


Conservando a inocência

Do aprendiz entusiasta

Em busca da essência

Na corrida insensata


Tentando vislumbrar

Nesta busca por mim mesmo

Um caminho a ser traçado

Meio torto, meio a esmo

E assim me deparar

Entre o ser que ainda estou

Em processo, inacabado

E o quão pouco ainda sou


Assim como um espelho

Reflito o meu estar

E absorvo os alheios

Que me fazem enxergar


Quão singelo é o construir

E o querer constituir

Uma percepção de ser

Enquanto se estar


Este reflexo

Do que é você

Alude ao nexo

Do porvir

Do estar a ser


Pois que são as referências

Que constroem o perceber

Me trazendo a sapiência

E a noção do vir a ser


O estar em processo

Procurando lá no fundo

Num sentindo bem profundo

A exclusão dos meus excessos


E em busca da razão

Seguindo assim eu vou

Transgredindo a pretensão

De ser alguém que é

Para um vir a ser que sou.


Alex Rosier.

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